terça-feira, agosto 07, 2012

RODAS NO SALÃO: LEVANDO A DANÇA EM CADEIRA DE RODAS PARA O MUNDO



Era a primeira participação brasileira numa competição internacional de Dança Esportiva na Cadeira de Rodas, no “Malta Open DanceSport Spetacular 2004”, e a dupla baiana que representava o país conquistou o 1º lugar na categoria 4 danças latinas (Samba, Rumba, Chá-chá-chá e Jive). Assim começou a trajetória de Cabral e Anete em disputas da modalidade pelo mundo. De lá para cá, eles não pararam mais de dançar e ainda acharam tempo para fundar, em Salvador, a Cia. Rodas no Salão, que atua na formação de duplas para competições e apresentações artísticas. A iniciativa conta com o apoio do programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania.
– Montamos uma equipe multidisciplinar incluindo psicólogo, professor de música e ritmo e professora de dança artística. Com a estrutura de profissionais fizemos audições para formarmos outras duplas de bailarinos cadeirantes e andantes – conta Anete Cardoso Cruz – A ideia era dar oportunidade de estudo e prática da dança, principalmente para as pessoas com deficiência física.
De acordo com os coordenadores da companhia, seja através do esporte ou pela vertente artística da dança na cadeira de rodas, a prática promove a inclusão social da pessoa com deficiência física, além do resgate de sua auto-estima.
Atualmente, o grupo conta com seis dançarinos-atletas, além do corpo técnico, que reúne profissionais efetivos e convidados. Por meio de parcerias com faculdades de psicologia, educação física, teatro, entre outras – que sempre procuram a companhia para desenvolver trabalhos e monografias – a Cia. Rodas no Salão consegue trazer para seus membros alguns cursos e aulas de profissionais especializados em diversas áreas.
No mês passado a companhia levou as duplas Marcelo & Edy e Cabral & Anete para competir no Aberto e na Copa Mundial de Dança Esportiva em Cadeira de Rodas na cidade de Cuijk, na Holanda, conquistando o 3º lugar na categoria iniciante do Aberto e o 11º lugar na categoria avançada da Copa Mundial.
Convidada em 2007 para se apresentar no Festival de Orphée, na França, a companhia criou o espetáculo “MPB Dança Espetacular”, que já percorreu o país e foi exibido também, em abril deste ano, em Portugal.
– Portugal não tem tradição na modalidade, por isso, fomos convidados para apresentar à plateia portuguesa o trabalho de dança esportiva em cadeira de rodas desenvolvido no Brasil e, em especial, na Bahia – explica.
E os convites não param de chegar. Este ano, o grupo já recebeu dois convites internacionais para estrear o novo espetáculo artístico que ainda está sendo montado.
Segundo Anete, para iniciar na prática da atividade não é necessário  ter experiência em dança, mas a rotina dos competidores envolve atividades de condicionamento físico, como musculação, ginástica artística, dança e hidroginástica – que são elaboradas de acordo com o tipo de corpo e deficiência – além de treinos, geralmente, diários. Também são necessários equipamentos diferenciados: para cada modalidade de dança há uma cadeira de rodas específica, podendo ser mais leve ou mais cambada, entre outras especificidades. Nas competições, os critérios de avaliação passam por ritmo e execução de movimentos técnicos, que incluem itens, como trabalho de corpo, rodas, conexão entre os dançarinos e condução.
A modalidade - A dança esportiva internacional em cadeira de rodas nasceu na década de 60 na Europa e teve sua primeira competição internacional no ano de 1977, na Suécia. O estilo caracteriza-se pela formação de duplas de dançarinos, compostos por um componente com deficiência física, dançando em uma cadeira de rodas, e um componente sem deficiência, dançando em pé. Sempre ao ritmo de músicas de dança de salão. No Brasil, a modalidade começou a ser estudada em 2001, durante o Simpósio Internacional de Dança em Cadeira de Rodas, na Unicamp (SP).

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